Restrição de aminoácido abundante na proteína animal poderá inibir o cancro
Outra das formas de diminuir o risco de cancro devido a estes compostos (além de reduzir o consumo de produtos de origem animal) consiste em consumir crucíferas regularmente e em simultâneo com estes alimentos. Alguns cancros cuja incidência aumenta com o consumo de carne, diminuem em populações que consomem crucíferas (couves) regularmente.Os isotiocianatos presentes nestes vegetais poderão ser responsáveis pelas suas propriedades protetoras em relação à carne. Os isotiocianatos (ITC) estimulam a produção de enzimas desintoxicantes no nosso organismo, as quais ajudam a eliminar substâncias cancerígenas antes de produzirem dano ao ADN das células. Além disso, os ITC interagem quimicamente com as aminas reduzindo assim o seu potencial mutagénico. De acordo com um estudo recente, combinar carnes com couves poderá limitar em 20% a formação de aminas heterocíclicas e diminuir a sua atividade cancerígena.
As células de cancro apresentam uma série de alterações metabólicas as quais oferecem oportunidades terapêuticas. O aumento da dependência destas células do aminoácido metionina é uma dessas alterações e embora se conheçam alguns mecanismos envolvidos nessa dependência, o mecanismo fundamental permanece ainda desconhecido. A restrição de metionina poderá interferir com a metilação de DNA, ciclo celular e síntese de antioxidantes nas células de cancro.
Estudos preliminares em laboratório e animais têm mostrado resultados promissores na inibição dos tumores em vários tipos de cancro sem consequências para as células saudáveis. Esta dependência de metionina foi identificada em tumores de vários tipos de cancro, como o cólon, mama, ovário, próstata e melanoma. Alguns estudos de fase I têm sido realizados com resultados promissores tanto através de uma restrição de metionina como diminuindo a sua disponibilidade com fármacos. Alguns estudos mostram também haver uma sinergia entre essa estratégia e tratamentos com quimioterapia mostrando vantagens nos resultados, podendo também vir a ser útil no tratamento de cancros metastizados.
Embora existam alguns estudos a decorrer que procuram perceber a eficácia na utilização de fármacos que reduzam os níveis de metionina no organismo, a forma mais simples e eventualmente mais eficaz passa por uma intervenção nutricional, reduzindo os alimentos que sejam ricos neste aminoácido. De facto, a restrição de metionina tem mostrado benefícios no prolongamento de vida em modelo animal. Os vários estudos que avaliam essa estratégia referem as eventuais vantagens de uma dieta vegan, sem produtos de origem animal, na diminuição dos níveis de metionina e consequentemente na diminuição de risco de vários tipos de cancro
- Claras de ovos (3204mg/100gr)
- Bacalhau (1859mg/100gr)
- Queijo parmesão (114mg/100gr)
- Farinha de sementes de sésamo (1016mg/100gr)
- Castanha do Brasil (1008mg/100gr)
- Carne de vaca (941mg/100gr)
- Galinha (925mg/100gr)
Referências:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24679758
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/4524624
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22171665
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14585259
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8495409
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12948860
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11603655
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12416254
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22171665
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18789600
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22342103
http://ndb.nal.usda.gov/ndb/nutrients/report?nutrient1=506&nutrient2=&nutrient3=&fg=&max=25&subset=0&offset=0&sort=c&totCount=4933&measureby=m
http://nutritiondata.self.com/foods-000084000000000000000-w.html
fonte: 21 de abril de 2014 · por Gabriel Mateus · em metionina
Sem comentários:
Enviar um comentário