quarta-feira, 29 de julho de 2015

O que aconteceria ao corpo se não comesse açúcar durante um ano?

Bolachas, biscoitos, doces, bolos, gelados, pães, panquecas, molhos, refeições pré-confecionadas, iogurtes, sumos ‘naturais’, refrigerantes, e muito mais. O açúcar está presente na grande maioria dos alimentos ingeridos diariamente, seja camuflado ou completamente à vista.
É considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o veneno do século XXI e um dos maiores vícios da atualidade, colocando em causa a saúde e o bem-estar das crianças., uma vez que pode mesmo causar dependência.
Acha que conseguiria passar um ano sem consumir açúcar? E como reagiria o seu corpo a esta restrição?
Após uma semana sem consumir açúcar, diz a revista GQ, os níveis de energia começam a cair, a desmotivação aumenta assim como a mudança de humor e a irritação. É possível verificar-se uma ligeira perda de inchaço assim como uma melhor qualidade de sono.
À segunda semana sem açúcar, o corpo começa a voltar a ter energia assim como os níveis de concentração melhoram. Verifica-se, ainda, uma ligeira perda de peso.
Já sem oscilações, a energia e o humor voltam ao estado normal passado um mês e, para quem consumia chocolate regularmente, é visível uma perda da percentagem de massa gorda, à conta de um ligeiro emagrecimento. Diz a GQ que é passado um mês de restrição que o corpo começa a não ‘pedir’ por doces.
Ao terceiro mês sem açúcar, os níveis de colesterol mau, glicémia e triglicéridos tendem a cair. Ao contrário da disposição física e qualidade de sono, que aumentam. A perda de peso e gordura fica mais notória.
Conta a publicação que não consumir este alimento durante seis meses faz com que o bem-estar e saúde geral melhorem e os riscos de cancro caiam, uma vez que o corpo se tornou já ‘resistente’ aos doces.
E passado um ano sem que o açúcar fosse presença na alimentação, os riscos de problemas cardíacos, Diabetes e obesidade reduzem a olhos vistos. Os benefícios conseguidos nos períodos anteriores mantêm-se e além de ganhar anos de vida, a pessoa fica ainda mais ativa, enérgica e bem-humorada.



terça-feira, 28 de julho de 2015

Aos 6 meses os bebés podem comer quinoa, abacate e aveia - DN


Aos 6 meses os bebés podem comer quinoa, abacate e aveia
Pais procuram uma dieta mais natural, livre de açúcares e produtos que agridem o organismo ainda imaturo dos bebés. Nutricionista e pediatra defendem redução do açúcar.
Quinoa, batata-doce, abacate, trigo sarraceno, iogurte de ovelha, aveia, cereais sem açúcar. Alguns alimentos sempre estiveram ali no supermercado, outros são mais difíceis de encontrar. A maioria nem sequer entra no cabaz familiar no dia-a-dia, por isso, está longe das escolhas quando chega a altura de o bebé começar a comer alimentos sólidos. Mas não tem de ser assim. Cada vez há mais pais a procurar ajuda de especialistas para dar uma alimentação mais biológica, nutritiva, sem produtos processados e açúcares, que têm consequências no organismo e na alimentação futura.
Andreia Revez, do Centro Pré e Pós-Parto, recebe pais e futuros pais mensalmente num curso sobre a diversificação alimentar do bebé. E os objetivos são os mesmos: tentar oferecer uma alimentação o mais variada e saudável possível. A nutricionista, apologista da amamentação em exclusivo até aos 6 meses, defende uma alimentação que "dê suporte intestinal sem agredir os intestinos. Deve começar-se pelos tubérculos porque as crianças não digerem tão bem os cereais".
Fonte: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4702305


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Festival Zen - ERICEIRA





Para Festival Zen Ericeira fizemos só comida vegan.
Wraps de patê de tremoços com azeitona
Wraps de salada de cenoura, courguete e alho francês a braz
Wraps doces com doce de morango, doce de pêra, mousse de limão....
bolo de cenoura e laranja, bolo de chocolate
queques de chocolate e passas...
Nosso workshop foi sobre leites e fermentados.


sexta-feira, 17 de julho de 2015

QUEIJO de Girassol servido com sal e pimenta e ervas aromáticas.


Sem Queijo de Girassol servido com sal e pimenta e ervas aromáticas.
Receita, aprox (foi tudo a olho):
1 chávena de sementes de girassol previamente demolhadas
3 colheres de sopa de azeite
sumo de meio limão
1 dente de alho grande ou 2 normais
sal q.b.
pimenta q.b.
3 a 4 colheres de sopa de levedura de cerveja
Juntar todos os ingredientes num liquidificador.
Ferver meia a uma chávena de àgua.
Colocar entre 1 a 2 colheres de sopa de Agar-Agar
Ir mexendo sempre durante 2 a 3 minutos (enquanto ferve em fogo brando).
Misturar no liquidificador (poderá necessitar de espátula) e triturar tudo muito bem.
Untar uma forma com um fio de azeite e ervas a gosto e transferir rápidamente a mistura.
Tapar e levar ao frio para solidificar.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

[Receita] Queijo Feta (de amêndoas) do Pedro Costa

Adorei esse Blog - culto pelo corpo.blogspot.pt/

Essa é só uma das maravilhas que encontrei por lá!!!
Faço esse queijo, sem o iogurte (logicamente) e sem desidratar,  desde sempre, pois é a base das minhas macarronadas cruas.... Mas aqui tem uma apresentação! Um charme .... Adorei!

Queijo Feta é um dos meus queijos favoritos, adoro aquele sabor ácido e salgado típico do feta. Esta receita faz-me lembrar muito esse sabor, o salgado do sal, o ácido do limão... Acho que não podem deixar de testar. A receita não é originalmente minha, na verdade é de uma edição de 2009 do Vegetarian Times, e eu encontrei-a neste blog que tem muitas outras receitas boas.
Gostei do resultado final, a textura ao cortar também ficou bem semelhante ao feta. Podem cobrir o feta com ervas (salsa, tomilho, alecrim...) infundidas em azeite na hora de servir. Podem barrar em tostas ou colocar numa salada.
Existe outra forma de fazer feta além desta que usa tofu marinado (durante cerca de 4 dias) em ervas, alho, sal, sumo de limão ou vinagre e agua. Que também podem testar.
Ingredientes:
  • 1 chavena de Amêndoas demolhadas (ou residuo de amendoas)
  • 1/2 chavena de Água 
  • 1/4 chavena de sumo de limão
  • 3 c.sopa de azeite
  • 3 c.sopa de iogurte de soja s/açucar (opcional)
  • 1 alho
  • Sal q.b (usei 1  1/4 c.cha)
Preparação:

1. Bater todos os ingredientes no liquidificador até obter uma pasta cremosa.
2. Colocar a pasta a escorrer num pano atado com um elástico em cima de um prato e deixar repousar durante cerca de 8 horas.
3. Retirar a pasta de dentro do pano e colocar em cima de papel vegetal dando a forma de quadrado ou rectângulo.
4. Colocar no forno a 180ºc durante cerca de 30-40min.
5. Servir cortado aos cubinhos, fica óptimo em saladas.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Panelas Furadas - Portugal!

Se desejar
comprar uma ou todas as panelas furadas, 
o Leite da Terra comercializa-as em Portugal.

 
               A.     8 € por unidade com despesas de correio incluídas.
               B.   15 € pelo "trem de cozinha" (1 e 2) com despesas de correio já incluídas.
Encomendas: leitedaterra@gmail.com
Pagamento por transferência bancária
Com o  seu pedido, não esqueça de indicar:
nome, da morada  e contacto telefónico 

  Publicação   
Diante  dos "desertos verdes", resultado da produção de clones de eucalipto responsável pela  industria de celulose que vem desequilibrando a  vida na terra a passos largos....  optamos por divulgar os resultados da pesquisa  Biochip pela internet, onde as informações podem ser atualizadas a cada nova descoberta favorecendo  o bem comum. ( Via Campesina)*
 As publicações que estamos produzindo estimulam a leitura ágrafa, onde o aprendizado é resultante de experiência vivida.
São tres os volumes de nossas publicações as  panelas  furadas...
Ao espremer o conteúdo com suas próprias mãos são estimuladas as trocas de informações entre você e os modelos vivos utilizados: as sementes germinadas, as frutas, os legumes e as verduras .  
Permitem ao leitor usar as mãos, censor humano com grande numero de terminais nervosos, despertando e favorecendo  as transmutações biológicas  desejadas pelo seu proprio organismo.  ( Kervan, Salvatore de Salvo ) *

JOGO DE PANELAS FURADAS
 O que é?
 O jogo de Panelas Furadas é um conjunto de três processadores manuais flexíveis. O jogo permite experimentar a diferença da forma mudando o sabor ao espremer frutas, legumes ou verduras separando fibras, sementes ou cascas de líquidos em três gradações diferentes.
Cada Panela Furada tem um tamanho de abertura na trama da tela flexível;
Panela furada número 1 ______0,16mm
Panela furada número 2 ______2mm
Panela furada número 3 ______3mm
 Pode-se obter passando através delas desde líquidos (nº 1) até cremes (nº 3) ao espremer através das telas o conteúdo com as duas mãos sob um recipiente.
  Com o jogo de Panelas Furadas a textura de uma receita viva pode ser especificada e comunicada através da identificação da granulometria dessa textura, isso é, a medida do vazio da trama de cada uma delas 0,16mm, 2mm ou 3mm, permitindo a reprodução do experimento e a comunicação das texturas. Assim podemos reproduzir texturas semelhantes às obtidas a partir do cozimento do amido na alimentação convencional , sem no entanto , produzir acrilamida ( Neri, Valeria)*, recordando a memória afetivo saborosa . (Maturana)*
O uso das mãos no preparo dos desenhos vivos não somente permite o contato direto com a informação viva como também o uso desses utensílios torna lúdico e prazeroso o preparo dos alimentos compartilhado por várias idades e estados do humano.
 Como são usadas as Panelas Furadas?
Como o conjunto permite a variação das texturas e dos sabores, novos usos estão sempre sendo descobertos. Aqui estão alguns usos que já experimentados:
 Ao espremer 3 pedaços de melancia, um em cada Panela Furada. quanto mais fina a trama, (0,16mm) mais doce e líquido fica o suco. Com isso a melancia pode ter mais 3 sabores, além daqueles a que estamos habituados.
 A Panela Furada nº1 é usada para obter líquidos como o suco da Luz do Sol, depois de processado no liquidificador. Sucos de frutas bem maduras sem casca podem ser feitos diretamente espremendo com suas mãos as frutas dentro da Panela Furada: maracujá, fruta do conde, abacaxi, morango, acerola e até laranja.
Também podemos usá-la para diminuir a quantidade de líquido e favorecer a desidratação, como por exemplo ao fazer farinha de mandioca: ralamos a mandioca bem fininha, esprememos o líquido na Panela Furada nº1 e espalhamos o conteúdo numa peneira grande forrada com uma pano, deixando exposto ao sol forte.
 Panela Furada nº2 é usada quando se quer uma textura mais cremosa e uniforme. Por exemplo, goiaba batida no liquidificador com abacaxi pode ser passada na 2mm. Ela retém as sementes da goiaba e as fibras do abacaxi. A manga, por exemplo, pode ser descascada e diretamente espremida na 2mm.
 Panela Furada nº3 é usada para favorecer texturas semipastosas, por exemplo a banana ou o abacate que passados na 3 resultam num creme com alguns grumos. Nesses casos a Panela Furada retém no seu interior somente o que não ultrapassa a 3mm de tamanho, mudando a forma e o sabor dessas frutas.
 Como posso fazer o jogo de Panelas Furadas?
Panela Furada número 1 é obtida a partir do tecido voil de 0,16mm de abertura.
Panela Furada número 2 é obtida a partir da “tela ou malha esportiva” de 2mm de abertura.
Panela Furada número 3 é obtida a partir da tela “albercan” de 3mm de abertura.
Os tecidos escolhidos são 100% sintéticos pois eles não absorvem umidade e favorecem a manutenção e a higiene.
Cada Panela Furada é feita a partir de uma circunferência de tecido de 50 cm de diâmetro e um elástico roliço n.2 de 80cm de comprimento.
Você vai precisar de uma tesoura afiada, uma vela, um molde de papel (1/8 de círculo de 50cm de diâmetro) e um incenso.
Corte o tecido em quadrados de 50X50cm, caso sua largura seja 1,50m ou 3m.  Para cortar um círculo, pegue esse quadrado, dobre em quatro sem a preocupação de alinhar as pontas. Agora dobre na diagonal do quadrado. Posicionando a ponta do molde na parte do tecido correspondente ao meio da circunferência, alinhe a outra extremidade arredondada do molde com a menor borda do tecido. Corte o tecido seguindo o arredondado do molde.
O voil é um tecido que desfia facilmente, por isso passamos a vela por toda a sua borda aproximando-a da chama. Os outros não precisam disso, pois são malhas e não desfiam.
Com o incenso faça pequenos furos ao longo de toda a borda do voil com uma distância de 3 dedos entre eles e de um dedo da borda. Passe o elástico de 80 cm por esses furos, e dê um nó na ponta, que pode ser ligeiramente queimada para não desfiar. Os demais tecidos já têm furos com largura suficiente para passar o elástico e para facilitar, use uma agulha de tapeçaria. Está pronta a sua Panela Furada!
  O JOGO DE PANELAS FURADAS NA FEIRA DO DESENHO VIVO
A simplicidade da forma e de sua obtenção desencadeia nos usuários a vontade de produzir as Panelas Furadas manualmente. A cultura relacionada aos coadores de tecido até hoje é artesanal, e é nas feiras livres que esses objetos podem ser encontrados.
 Em uma das tendas da Feira do Desenho Vivo, está instalada a oficina onde o processo de confecção das Panelas Furadas é exposto e construído pelo visitante de forma solidária, isso é, durante a construção da primeira Panela Furada ele aprende, na construção da segunda Panela Furada ele solidifica seus conhecimentos e agradece o aprendizado oferecendo uma das Panelas Furadas construídas para quem o ensinou, permitindo então que os custos com o material utilizados sejam resgatados. O público da feira opina e comenta sobre as Panelas Furadas, compartilhando novas maneiras de usá-las e outras formas de fazê-las, assim é o desenho coletivo. 

Mais informação sobre as panelas furadas:
Trabalhei com a professora do Depto. de Artes e Design da PUC-Rio Ana Branco, que desenvolve sua pesquisa no LILD - Laboratório de Investigação em Living Design. Neste espaço o Grupo de Formação em Empreendedorismo Ambiental Solidário estuda e investiga os sabores, cores e texturas das frutas, hortaliças e das sementes germinadas, que são chamados de modelos vivos. As diferentes combinações e composições são os desenhos. Para isso são usados utensílios que permitem a modificação da forma; liquidificador, ferramentas de corte, o coador usado para obter a clorofila líquida, etc. O grupo realiza a Feira do Desenho Vivo que acontece semanalmente no campus da PUC-Rio e é composta de um conjunto de tendas. Elas são micro-unidades de produção de pesquisa orientada e auto-sustentável e oferecem e expõem a transparência dos processos de produção, as técnicas utilizadas e os produtos resultantes das pesquisas desenvolvidas pelo Grupo Aberto de Estudo, Pesquisa e Desenho com Modelos Vivos – o Biochip.
    A partir da identificação do seu universo vocabular, chegamos ao objetivo da professora: acordar, rezar, cuidar, colher, germinar, desenhar, comer, cagar, amar, dormir com brincadeira, liberdade e alegria, religam o vivo com a vida. Para religar o vivo com a vida, são demonstradas em aulas práticas, técnicas de processar os modelos vivos mantendo sua informação e a energia vital.
    Os pigmentos verdes resultantes da extração da clorofila eram passados num coador de pano de formato retangular com costura e uma abertura circular sustentada por um arame. Para favorecer a higiene e prolongar o tempo de uso, passamos a cortar o tecido no formato circular, com isso a costura não se fez mais necessária. A simplificação da forma e de sua obtenção permitiu a variação das tramas. Com isso os modelos vivos podem ser transformados em pigmentos para desenhos a partir de coadores de tecido que determinam diferentes texturas. Através dos diferentes tamanhos de vazios na trama fica possível transferir as técnicas que nomeiam a variação da textura, permitindo então que sejam indicadas com precisão as diferentes granulometrias dos alimentos. Essas texturas eram geradas convencionalmente pelo cozimento e atualmente são geradas pela forma resultante da passagem dos vegetais frescos através das Panelas Furadas, como o conjunto de coadores ficou sendo chamado.
    O Jogo de Panelas Furadas vem sendo desenhado através da observação participativa e da experimentação com os pesquisadores da Feira do Desenho Vivo. O conjunto funciona como um filtro e separa o líquido das partículas sólidas em 3 gradações. Cada Panela Furada tem um tamanho de abertura na trama da tela flexível; 0,16mm, 2mm e 3mm. O conjunto permite a variação das texturas e dos sabores, evidenciando que a forma muda o sabor.
    Em uma das tendas da Feira do Desenho Vivo, está instalada a oficina onde o processo de confecção das Panelas Furadas é exposto e construído pelo visitante de forma solidária, isso é, durante a construção do primeiro coador ele aprende, na construção do segundo coador ele solidifica seus conhecimentos e agradece o aprendizado oferecendo um dos coadores construídos para quem o ensinou, permitindo então que os custos sejam reembolsados. O público da feira opina e comenta sobre as Panelas Furadas, compartilhando novas maneiras de usá-las e outras formas de fazê-las, assim é o desenho coletivo.
   Agradeço poder através deste projeto organizar e ter consciência de um ciclo de produção que direcionou o foco de minhas ações. Agradeço poder estar em contato com o público, isto me fez desinibir ao falar, explicar e fazer junto com as pessoas as Panelas Furadas, além da alegria que sinto ao compartilhar a autoria deste projeto.  Agradeço a parceria com Natércia da Silva e sua família que confeccionam as Panelas Furadas (já foram 2000), poder aprender com eles seriedade e profissionalismo. Agradeço participar da pesquisa do Biochip, e trabalhar nela através deste projeto, isto serviu para eu me fortalecer e ter confiança no meu trabalho de designer, e saber que é isso mesmo que quero como profissão.
 * veja bibliografia no braço Convivências com o Biochip


Se desejar
comprar uma ou todas as panelas furadas, 
o Leite da Terra comercializa-as em Portugal.

 
               A.     8 € por unidade com despesas de correio incluídas.
               B.   15 € pelo "trem de cozinha" (1 e 2) com despesas de correio já incluídas.
Encomendas: leitedaterra@gmail.com
Pagamento por transferência bancária
Com o  seu pedido, não esqueça de indicar:
nome, da morada  e contacto telefónico 

Quindim de damasco (Raw Food)





INGREDIENTES

·                     1/2 chávena de coco ou castanhas de caju
·                     12 damascos secos
·                     1 colher de sopa de melado
·                     1 colher de chá de essência de baunilha


PREPARO
Coloque os damascos de molho em agua filtrada em um recipiente de vidro. Tampe e leve ao frigorífico. Deixe por umas 8 horas antes de usar. Este é o tempo suficiente para que os damascos hidratem.
Na mesma ocasião prepare o coco. Lave e coloque de molho em água filtrada também usando um recipiente de vidro. Tampe e coloque no frigorífico pelo mesmo tempo que os damascos vão ficar de molho.
Passado o tempo de molho dos dois ingredientes, comece pela coco. Escorra a agua e coloque o coco hidratados no liquidificador juntamente como agave, a baunilha e 5 damascos hidratados. Coloque um pouco de agua filtrada, o suficiente para começar a bater. Acrescente água aos poucos e continue batendo em velocidade alta ate uma pasta de modelar.
Modele e leve ao frio!

terça-feira, 14 de julho de 2015

Sopa de Melão




Ingredientes:
- 2 melões
- suco de 1 limão
- 4 colheres (sopa) de folhas de hortelã
- raminhos de hortelã e flores silvestres para enfeitar

Preparação:
Passo 1: Corte os melões ao meio. Separe as metades e retire as sementes.
Passo 2: Coloque a polpa de melão num processador.
Passo 3: Junte o limão, a hortelã  e processe por 2 minutos, até que a mistura fique lisa.

Passo 4: Derrame a sopa nas taças..

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Veg-Carpaccio de figo e pepino


ingredientes
  • 6 figos maduros cortados em rodelas finas
  • 1 pepino médio cortado em rodelas finas
  • 1 colher (sopa) de canela em pó
  • 1 colher (sopa) de agave
  • 4 colheres (sopa) de água
  • 1/2 colher (sopa) de suco de limão
  • 4 colheres (sopa) de caju germinado
  • 2 pitadas de sal
Modo de preparo
  • Em uma travessa de servir redonda, disponha camadas de figo intercaladas com camadas de pepino salpicado com a canela.
  • À parte, misture até ficar homogéneo  o caju, a água, o sumo de limão e sal.
  • Sirva a salada com o molho por cima.
Rendimento: 6 porções
Tempo de preparo: 10 minutos





terça-feira, 7 de julho de 2015

Arroz!!!

O arroz branco é um amido neutro. Tem menos nutrientes que o arroz integral, é verdade.... mas em compensação é ausente em ANTInutrientes (que impedem a absorção de muitos nutrientes), e é muito mais fácil de cozinhar, de comer e de digerir. É por isto que por milênios as populações tradicionais do oriente sempre poliram o arroz manualmente. Acredite: na china, índia, Japão ou indonésia ninguém come arroz integral! Emoticon unsure
Como todo amido concentrado, quando consumido em excesso o arroz branco pode desequilibrar uma dieta com sua sobrecarga de carboidratos.
Contudo, felicite-se! Pesquisadores do Sri Lanka descobriram uma maneira de reduzir as calorias e a glicemia do arroz em até 50% de forma muito eficiente.
O processo é simples: cozinhar o arroz com óleo de coco (meia colher de sopa de óleo para cada xícara de arroz cru) e depois refrigerar o mesmo por 12 horas. Isto converte boa parte do amido do arroz em AMIDO RESISTENTE (o mesmo da banana verde), substância prébiótica que não é transformada em glucose pela digestão. Depois você pode esquentar o arroz novamente, a alquimia já foi feita em sua estrutura.
Desta forma o arroz já pronto pode ficar aguardando na geladeira ...para ser transformado em um risoto low-carb com muitos vegetais e temperos deliciosos, por exemplo. Experimente, fica muito bom e é muito prático.
Quem diria que arroz requentado seria mais saudável do que arroz fresquinho? Pois é. Vivendo e aprendendo!
Fonte:
Flavio Passos
 compartilhou a foto de Puravida.com.br.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ervas curandeiras - Ervinhas milagrosas - Mézinhas das nossas avós

Habituais nas farmácias caseiras
A naturopatia está na moda. Que tal uma chávena de chá de camomila ao deitar em vez de um comprimido? O biólogo Jorge Nunes revela as propriedades medicinais e aromáticas das espécies vegetais autóctones mais usadas na medicina tradicional.

"Os desesperados agarram-se às silvas!”, dizia a Ti Piedade enquanto o corpo negro e cansado se curvava sobre os matos espinhosos e as mãos vetustas e calejadas iam ripando as flores da carqueja. “Principalmente, quando já não aguentam os males da boca ou a soltura dos intestinos… e não falo de chupar amoras pretinhas, não senhor...”, acrescentava com um sorriso malandreco.
Momentos mais tarde, ao passar por um silvado florido, fez questão de mostrar que não estava mesmo a referir-se às deliciosas amoras tão apreciadas como frutos silvestres, mas às pontas das silvas: “Folhas tenrinhas e flores fechadas, vê?” Depois de fervidas e bem filtradas – “têm muitos picos, é preciso ter muito cuidado!”, advertia –, servem para bochechar (curam aftas, dores nas gengivas e outras doenças da boca) e, em tisana, aliviam a diarreia (“soltura”, “desarranjo” ou “destempero”, como é uso chamarem-lhe no mundo rural).
Amparada por um varapau, que a ajudava a suportar o peso dos seus quase noventa anos, não perdia o ritmo e avançava com passo ligeiro por entre os tojos e as urzes ressequidas. Do braço esquerdo pendiam dois sacos de plástico com logótipos desbotados de uma grande superfície comercial. Os sinais das catedrais do consumo já chegaram às serranias remotas de São Pedro do Sul. Enquanto as flores de carqueja iam enchendo o saco maior, o mais pequeno permanecia quase vazio. “É do hipericão”, esclarecia sem abrandar a passada, “mas, com este calor, já nem se encontra, está todo mirradinho!”, justificava a dona Piedade.
A carqueja recolhida naquela tarde ainda precisava de mais alguns dias para secar e ser devidamente acondicionada. Depois, ficaria a aguardar a chegada dos rigores invernosos, das gripes e tosses trazidas pelas chuvas fortes, pelos mantos brancos de neve e pelos ventos gélidos que costumam atravessar de forma inclemente os maciços de Montemuro e da Gralheira. As “Terras do Demo”, como tão oportunamente lhes chamou Aquilino Ribeiro, o grande romancista beirão.  
Embora aquele dia tivesse servido essencialmente para a apanha da carqueja e do hipericão-bravo, a anciã acabou por confidenciar que a sua farmácia caseira incluía um sem-número de outras “ervinhas milagrosas”, que ia recolhendo ao longo de todo o ano. “Ervas que fazem bem a tudo” e que mantém guardadas em frasquinhos e saquinhos, prontas para quando houver uma ferida, uma tosse, uma diarreia, uma febre ou uma gripe.
Mézinhas das nossas avós
O relato, colhido, juntamente com a carqueja e o hipericão, no distrito de Viseu, poderá parecer apenas mais uma recolha etnográfica, igual a tantas outras memórias que se vão apagando à medida que as comunidades rurais entram em declínio por causa do êxodo rural e do desaparecimento dos seus anciãos, portadores de importantes saberes e tradições que acabam por ser enterrados com eles, muitas vezes, sem que haja qualquer hipótese de serem legados às gerações vindouras, como acontecia antigamente. Porém, basta percorrer qualquer aldeola portuguesa para se perceber que o rol de utilizações das ervas é infindável e que, afinal, este relato poderia muito bem ter sido gravado em qualquer outra região. Por todo o país, do nordeste transmontano ao Barrocal algarvio, passando pelas ilhas-jardim, são muitas as pessoas, nomeadamente os mais velhos, que continuam a recolher da natureza as plantas com poderes curativos.
Desde tempos que a memória já não lembra, sempre se aproveitaram as virtudes das plantas que floresciam espontaneamente por montes e vales. Mas “quem tem tesouros não os exibe”, diz o povo. Por isso, não é de estranhar que, no início, as panaceias e mézinhas fossem saberes privados guardados sigilosamente como se de tesouros familiares se tratasse. No entanto, com o passar dos séculos, foram-se tornando públicos e acessíveis a toda a comunidade. E, tal como no folclore e na gastronomia, também nas ervas medicinais cada região tem a sua tradição. Nem poderia ser de outro modo, porque a distribuição das plantas é, por vezes, circunscrita a determinadas zonas de acordo com os fatores climáticos e edáficos que as influenciam. Não é, por isso, de estranhar que existam diferentes “receitas” para o mesmo mal. É caso para dizer: cada avózinha, sua mézinha!
Do campo para a cidade
A utilização das plantas, quer para fins alimentares quer medicinais, é quase tão antiga como o próprio homem. Embora o seu uso medicinal seja habitualmente conotado com práticas mais ou menos obscurantistas, que persistem sobretudo no bucólico da ruralidade, as plantas não servem apenas para tratar as maleitas dos nossos camponeses. Nas grandes cidades, apesar de muito deste património cultural se ir desvanecendo, assistimos na atualidade a um regresso às origens, em busca daquilo que a terra nos dá. Prova disso é que não haverá casa portuguesa sem o cantinho das ervas: a erva-cidreira para as perturbações gástricas, a tília para febres e doenças hepáticas, a camomila para a gripe, entre muitas outras que cada um escolhe a seu bel-prazer.
Muitas das mézinhas das nossas avós, a que é usual chamar “medicina tradicional”, “natural” ou “verde”, coexistem, afinal, com a medicina convencional, dos médicos, na qual abundam cock­tails químicos injetáveis, xaropes industriais e drageias de todas as cores e feitios.
Ainda que não haja dados estatísticos sobre o número de pessoas que recorrem à medicina natural, uma vez que se trata de autoconsumo e não são necessárias receitas médicas para este género de terapia, pensa-se que a naturopatia está em crescendo. São cada vez mais os adeptos da medicina verde. Em suma, quando o objetivo é acalmar a alma, fortalecer o corpo e aliviar a dor, ninguém se importa de onde vem o remédio, desde que se revele eficaz.
Formas sugestivas
Não é difícil imaginar por que razão algumas plantas começaram a ser utilizadas como curandeiras. Basta olhar para elas. As suas formas sugestivas, imitando órgãos do corpo humano, terão despertado a curiosidade e levado ao seu emprego na cura das maleitas a eles associadas. Estas crenças originaram, nos séculos XVI e XVII, a chamada “doutrina das assinaturas”, segundo a qual Deus teria indicado as virtudes de cada planta dando-lhe uma forma similar ao órgão sobre o qual atuava. Por exemplo, os tubérculos de certas orquí­deas, que se assemelham aos testículos humanos, possuiriam propriedades afrodisíacas, e as folhas das hepáticas, em forma de fígado, seriam indicadas para os problemas relacionados com esse órgão. Ou então, dando-lhe um aspeto idêntico aos sintomas externos de determinada doença (as ervas com seiva amarela, como a celidónia, eram utilizadas no tratamento da icterícia, o feto polipódio era usado para curar a varicela, pois os seus esporângios, situados na página inferior das folhas, assemelham-se às pústulas originadas por essa doença). Embora nem sempre se verificasse a tão almejada cura, cedo se percebeu que quase todas as plantas possuíam propriedades medicinais, que compuseram o vasto leque de conhecimentos empíricos legados às gerações vindouras.
A doutrina das assinaturas estendeu-se de igual modo aos fungos: o exemplo mais conhecido é o do cogumelo porra-de-lobo ou picha-de-cão (Phallus impudicus), ao qual, devido à sua forma idêntica ao pénis humano, foram também atribuídas propriedades afrodisíacas. Entre os líquenes, destaca-se a pulmonária (Lobaria pulmonaria), que foi largamente utilizada no tratamento das úlceras pulmonares, em virtude da sua semelhança com um pulmão.
Embora estas crenças nos possam parecer ridículas no presente, é compreensível que, na antiguidade, se tenha entendido as formas das plantas semelhantes a órgãos como sinais divinos. Em pleno século XXI, muitos camponeses sem a influência dos ensinamentos escolares e dos conhecimentos científicos continuam a vê-las como tal.
Curar sem químicos?
A utilização das plantas com propósitos medicinais vem de há longa data; no entanto, o papel fundamental que lhes era atribuído na medicina da Idade Média foi-se desvanecendo com os avanços científico-tecnológicos da era moderna. Hoje em dia, muitos dos seus princípios ativos já são sintetizados artificialmente, através da biotecnologia a que recorre a indústria farmacêutica. Apesar disto, ainda existe uma considerável percentagem de medicamentos prescritos pelos médicos que resulta da utilização direta de plantas, sobretudo quando a síntese artificial do princípio ativo não é conseguida ou não é economicamente favorável.
Segundo o Decreto-Lei 176/2006, é definido como medicamento à base de plantas “qualquer medicamento que tenha exclusivamente como substâncias ativas uma ou mais substâncias derivadas de plantas, uma ou mais preparações à base de plantas ou uma ou mais substâncias derivadas de plantas em associação com uma ou mais preparações à base de plantas”.
Permanece, contudo, o preconceito de que as ervas medicinais recolhidas na natureza são boas para a saúde porque não têm químicos, o que não é verdade. A razão por que são usadas para fins curativos é exatamente porque possuem determinadas substâncias químicas que vão influenciar a fisiologia do organismo. Eduardo Ribeiro, biotecnólogo e especialista em suplementos alimentares e plantas medicinais, lembra que “uma planta medicinal é constituída por um complexo conjunto de moléculas com efeitos fisiológicos comprovados, mas cuja ação ao nível do organismo não é facilmente percecionada”.
Através do seu metabolismo, quase todas as plantas conhecidas produzem substâncias com propriedades medicinais ou odoríferas, como esteróides, alcalóides, óleos essenciais, taninos, vitaminas, elementos minerais e antibióticos, entre muitas outras. Dito de outro modo, possuem determinado princípio ativo que lhes confere valor terapêutico. Por isso mesmo, terão sido empregadas, de acordo com estudos antropológicos, desde o Paleolítico, embora os vestígios farmacêuticos mais antigos nos tenham chegado das civilizações mesopotâmica e egípcia.
Para além da utilização que se vai fazendo das plantas, principalmente pelos habitantes das zonas rurais e pelos clientes da naturopatia, a indústria farmacêutica não deixa de procurar novas propriedades curativas nas plantas silvestres. Embora a medicina convencional não reconheça completa validade terapêutica à naturopatia, é absurdo desprezar alguns tratamentos centenários da medicina popular, muitos deles com eficácia comprovada. Quem nunca bebeu chá de camomila como calmante, tomou mel com limão para curar as dores de garganta, bebeu chá de cidreira para as dores de estômago ou tomou xarope de cenoura para a tosse? Quantas vezes as mézinhas de fabrico caseiro, passadas de geração em geração, fazendo parte da identidade cultural de um povo, solucionam os problemas de saúde e restabelecem o bem-estar, sem necessidade de apoio médico? Muitas dessas receitas caseiras podem ainda ser ouvidas da boca dos sábios rostos enrugados pelos anos, em qualquer das muitas aldeias de Portugal, que teimam em manter vivos os costumes e tradições.
No entanto, embora use produtos naturais culturalmente muito interessantes, a verdade é que a medicina natural pode apresentar alguns riscos, nomeadamente quanto ao controlo de qualidade, à utilização indevida e aos efeitos secundários em determinadas doenças, como avisa Elsa Gomes, professora aposentada da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.
Em muitos casos, a medicina convencional coexiste com as medicinas popular e alternativa. Os doentes, consoante os resultados obtidos com os tratamentos, dividem a sua crença entre médicos e “curandeiros”, “endireitas”, “sábios”, “bruxas” e “homens de virtude”. Apesar de os efeitos farmacológicos de muitas mézinhas estarem ainda por investigar e comprovar, a medicina moderna vai aprendendo a conviver com alguns desses remédios populares; de facto, quando a medicina ainda dava os primeiros passos, já o povo tinha remédios para a maior parte das maleitas.
“A elaboração de remédios caseiros está também hoje em dia facilmente acessível via internet, sendo possível aprender como fazê-los e quais as suas indicações.” Quem o afirma é o médico Luiz Santiago, autor de Medicamentos e Corpo – Consumidores de Fármacos: o que Pensam e o que Sabem... “No entanto, dose e posologia são duas grandes lacunas que se observam, quando consultada a informação”, alerta.
Curativas e aromáticas
Além das propriedades medicinais, culinárias e cosméticas, muitas plantas são utilizadas para a elaboração de estupefacientes. Por exemplo, a dormideira, parente próxima das nossas papoilas, é cultivada na Índia, no Egito e na China para a obtenção de ópio. Esta droga, já conhecida na antiguidade, fornece numerosas substâncias medicinais: morfina, codeína e papaverina. Da dormideira, obtém-se ainda um óleo idêntico ao do girassol, sendo muitas vezes utilizada como alimento. Só de uma parte insignificante da planta, o látex das cápsulas, se obtêm os alcalóides opiáceos, com larga utilização na medicina moderna, onde são usados como calmantes e antiespasmódicos.
Os extratos de plantas empregam-se para preparar diversas soluções medicinais, das quais resultam tinturas, essências e sucos usados para elaborar xaropes (bebidas que resultam geralmente da maceração de várias plantas), infusões (bebidas feitas com o aproveitamento do líquido resultante da fervura dos vegetais), pomadas e emplastros (ervas, frescas ou cozidas, intactas ou maceradas, aplicadas sobre a zona afetada) e inalações (plantas vertidas num recipiente com água a ferver do qual se inala o vapor).
As ervas aromáticas são usadas na indústria alimentar e na cozinha dietética. Aliás, a gastronomia tradicional, característica de cada região do país, vive muito do toque especial que lhe é dado pelas ervas. Algumas dessas plantas têm presença obrigatória em vários pratos: os coentros na sopa de peixe, os cominhos nas tripas à moda do Porto, os orégãos nos caracóis, a salsa no bacalhau à Brás, o louro e o alho no coelho à caçador, a hortelã no arroz de maranho, etc.
A grande maioria das plantas consideradas úteis foi domesticada, existindo já variedades de cultivo. Deste modo, as indústrias farmacêutica e alimentar têm-nas sempre à disposição, sem dependerem da mãe-natureza para as obter quando precisam. Mas nem sempre assim é. Muitas vezes, as “plantas milagrosas” ainda continuam a ser recolhidas nos espaços naturais. Embora isso não seja preocupante quando é realizado pelas populações locais para consumo próprio, pode assumir graves proporções quando se trata de colheita indiscriminada e pouco escrupulosa, realizada para saciar os apetites gulosos do comércio florescente de produtos naturais. Servem de exemplo desta recolha desregrada, com a agravante de ocorrerem em áreas protegidas, a salva-brava (Phlomis lychnitis) colhida no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros para ser enviada para a América, e o hipericão-do-Gerês (Hypericum androsaemum), coletado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e vendido localmente para chá.
Ainda que as plantas medicinais e aromáticas devam ser consideradas como um recurso económico que as populações locais podem explorar, a inexistência de legislação que regulamente o setor favorece a venda de gato por lebre e pode pôr em perigo algumas espécies. Impõe-se, por isso, a criação de regulamentação e fiscalização adequadas à exploração sustentável deste recurso natural.
Para a dona Piedade, alheia às leis dos homens, a tradição será mantida enquanto viver: “Se Deus quiser, no próximo ano voltarei às ervinhas…Preciso delas para chegar aos noventa!”, dizia com um sorriso, muito alegre, que parecia apagar por momentos as rugas profundas e o sofrimento de uma vida penosa. Pois que seja feita a sua vontade!
J.N.

Colheita e uso das plantas
A recolha de plantas com potencialidades farmacêuticas e culinárias pode ser um passatempo interessante, que alia a medicina tradicional a um mais profundo conhecimento e respeito pela natureza. No entanto, não basta sair por aí a colher indiscriminadamente todas as plantas, é necessário conhecer muito bem as “ervas” e as suas propriedades. Eis alguns conselhos.
Utilize somente as plantas cujas propriedades estejam devidamente identificadas. Lembre-se de que os ingredientes ativos das plantas variam, tanto em quantidade como em qualidade, ao longo do ano.
Certifique-se de que identificou corretamente a planta e que nenhuma outra espécie vem misturada.
Nunca efetue recolhas em áreas que tenham sido pulverizadas com inseticidas ou pesticidas ou que tenham sido estrumadas recentemente. Na recolha de plantas aquáticas, evite águas poluídas.
Conheça quais as partes da planta que podem ser utilizadas na medicina natural. Por exemplo, na batateira, o tubérculo (batata) é um precioso alimento, enquanto a parte aérea é venenosa.
Recolha apenas a quantidade necessária, e sempre que possível evite arrancar a planta: muitas vezes, as partes úteis são apenas as folhas, as flores ou os frutos.
Evite a utilização de um remédio vegetal quando já está a ser alvo de um tratamento convencional receitado pelo médico. O efeito de duas “drogas” pode ser muito prejudicial. Fale abertamente com o seu médico sobre este assunto.
Nunca apanhe plantas raras ou em perigo de extinção, nem faça recolhas em áreas protegidas.
As “plantas milagrosas” também têm os seus riscos: peça apoio a um especialista.
Quem não seja dado a grandes passeios campestres ou não queira correr riscos, garantindo a salvaguarda da natureza, encontrará a grande maioria destas ervas em qualquer supermercado, dietética ou ervanária.

Farmácia caseira
Quando se fala de primeiros socorros, a medicina popular é bastante simples e prática: se existe ferida, aplica-se calêndula; se não, usa-se arnica. Uma regra tão clara pode, no entanto, induzir-nos em erro, levando-nos a pensar que a farmácia caseira se resume a apenas duas ervinhas, quando, na verdade, se conhecem mais de quatrocentas espécies de plantas medicinais. Segue-se um pequeno guia das plantas (para cada uma indica-se o nome comum e a denominação científica, porquanto os nomes vulgares variam muito de região para região) com lugar assegurado em qualquer farmácia natural, mas não se pense que são as únicas.
Alecrim (Rosmarinus officinalis) – As folhas estimulam a circulação e aliviam a dor. Atua sobre o sistema nervoso e fortalece a memória. Utiliza-se no tratamento de insuficiências hepáticas e vesiculares, uma vez que possui propriedades diuréticas. Alivia a asma, as amigdalites e a obstrução nasal e aumenta o apetite.
Alfazema (Lavandula officinalis) – Em tisana, alivia as dores de cabeça e acalma os nervos. Utiliza-se na asma brônquica, na tosse, nas enxaquecas, nas gripes e em certos casos de reumatismo.
Arnica (Arnica montana) – As suas flores e raízes usam-se como estimulantes cardíacos, sob estrito controlo médico, dado que se trata de uma planta tóxica. No uso externo, estimula a reabsorção dos hematomas e tem propriedades antissépticas e cicatrizantes.
Borragem (Borago officinalis) – A borragem é um remédio de ação suave muito apreciado na medicina popular. Para aproveitar o efeito calmante e emoliente das suas flores, fazem-se excelentes infusões que tratam a incómoda tosse das bronquites. Utiliza-se como depurativo, diurético, laxativo e sudorífico.
 
Calêndula (Calendula officinalis C. arvensis) – Faz parte de numerosos preparados farmacêuticos e cosméticos e as suas propriedades bactericidas e cicatrizantes converteram-na na planta ideal para os cuidados da pele. Usa-se para curar feridas e limpar a pele com acne ou descamação, nas queimaduras, nas picadas de insetos, etc.
Camomila (Matricaria chamomilla) – A infusão das flores produz uma tisana tónica e sedativa. Usa-se no banho para aliviar as queimaduras do sol. É habitualmente utilizada para acalmar espasmos e convulsões, como anti-inflamatório, antisséptico, etc.
Carqueja (Chamaespartium tridentatum) – Acalma a tosse e as irritações da faringe, sendo muito utilizada nas gripes, nas bronquites, na pneumonia e nas traqueítes.
Cidreira (Melissa officinalis) – Em infusão, alivia o catarro provocado pela bronquite crónica, as constipações febris e as dores de cabeça. Utiliza-se como calmante e no tratamento de perturbações gástricas e de dores de cabeça de origem nervosa.
Dente-de-leão (Taraxacum officinale) – É diurético e destaca-se no combate à arteriosclerose, à celulite, à tensão alta e ao mau colesterol. Usa-se ainda nos problemas de fígado e vesícula.
Erva-de-São-Roberto (Geranium robertianum) – Possui propriedades adstringentes, espasmódicas, diuréticas, hemostáticas e hipoglicemiantes. Utiliza-se em problemas de estômago, hemorragias pulmonares ou nasais, diarreias e cálculos renais e urinários.
Hipericão-bravo (Hypericum perforatum) – É antisséptico, cicatrizante, diurético e sedativo. Utiliza-se na depressão, na insónia, nas infeções ginecológicas e nas inflamações crónicas do estômago, do fígado, da vesícula e dos rins. Além disso, ajuda nas dores musculares e nevralgias e no herpes labial.
Hipericão-do-Gerês (Hypericum androsaemum) – Tem propriedades diuréticas e estimula a libertação da bílis. Utiliza-se nos tratamentos hepáticos.
Lúcia-lima (Lippia citriodora) – Combate, sobretudo, as perturbações digestivas e nervosas. Usa-se contra as indigestões, a flatulência e o mau hálito e como calmante.
Malva (Malva silvestris) – Apresenta propriedades anti-inflamatórias e utiliza-se na lavagem de feridas e como calmante sobre a pele e as mucosas inflamadas. Em infusão, usa-se em casos de diarreia, úlceras no estômago, catarros e obstrução das vias respiratórias, e ainda como laxativo.
Orégão (Origanum vulgare) – Em tisana, combate a tosse, as dores de cabeça nervosas e a irritabilidade. Utiliza-se contra a gripe, as constipações, as febres e a indigestão.
Poejo (Mentha pulegium) – Usa-se como calmante e contra indigestões, gripes, bronquites e dores menstruais. Não deve ser tomado durante a gravidez ou em caso de problemas renais.
Rosmaninho (Lavandula stoechas) – Tem propriedades sedativas, antissépticas, inseticidas, cicatrizantes, diuréticas e sudoríferas. Utiliza-se também para aliviar as náuseas e estimular a circulação.
Salva (Salvia officinalis) – Depois das refeições, a infusão de folhas ajuda a fazer a digestão. É antisséptica e fungicida e contém estrogéneos. Utiliza-se contra a depressão, as inflamações da boca e da garganta, a diarreia e os afrontamentos da menopausa.
Tília (Tilia cordata) – Tem propriedades diuréticas e sedativas. Usa-se contra febres, acidez gástrica e doenças hepáticas e biliares.
Urze (Calluna vulgaris) – É adstringente, antisséptica e diurética. Usa-se contra problemas urinários, diversas afeções renais e hipertrofia da próstata.
Zimbro (Juniperus communis) – As falsas bagas desta planta tiveram na Idade Média uma extraordinária celebridade, pois supunha-se que faziam curas miraculosas. É usado como depurativo e diurético. Entra na confeção de alguns pratos, serve para condimentar o presunto fumado e é o principal ingrediente na preparação do gin (bebida alcoólica destilada).

Os primeiros boticários
Durante a época áurea dos Descobrimentos, trouxemos para a Europa, vindos dos quatro cantos do mundo, produtos de origem vegetal, principalmente especiarias. Rapidamente se fez sentir a necessidade de descrever tudo quanto de útil se descobrisse. Por essa razão, foram enviados boticários nas naus que partiam a caminho de África, das Américas e do Oriente, aos quais competia averiguar e registar todas as mezinhas usadas pelos povos de além-mar, assim como descrever a natureza e a origem das “drogas e cousas medicinais”, assim como as suas propriedades e aplicações.
Nessa importante tarefa, distinguiram-se Simão Álvares e Tomé Pires, boticários enviados para a Índia por ordem do rei D. Manuel I, mas foi sem dúvida Garcia de Orta quem mais se notabilizou no estudo das espécies medicinais e outros produtos originários do Índico. O seu livro Colóquio dos simples, e drogas he cousas medicinais da Índia..., publicado em 1563, adquiriu fama internacional, nomeadamente após ter sido traduzido para latim, francês e italiano.
Depois do deslumbramento com as novidades farmacêuticas e culinárias trazidas dos “novos mundos”, o interesse dos boticários voltou-se para as potencialidades da flora espontânea do nosso país, conhecidas desde tempos imemoriais pelas gentes autóctones. Ainda a medicina dava os primeiros passos e já o povo lusitano tinha remédios caseiros para a maior parte das maleitas que atormentavam crianças e adultos.
Os estudos farmacopeicos portugueses tiveram início, provavelmente, com o abade Correia da Serra, nascido em 1750, figura altamente prestigiada da comunidade botânica internacional da época e fundador da Academia Real das Ciências. Seguiram-se-lhe outras personalidades ilustres, como Félix da Silva Avelar Brotero, nascido em 1744, Jerónimo Joaquim de Figueiredo, autor de Flora Farmacêutica e Alimentar Portuguesa, publicado em 1825, Francisco Soares Franco, compilador de Matéria Médica, impresso em 1816, e Agostinho Albano da Silveira Pinto, que publicou em 1835 o Código Farmacêutico Lusitano.

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